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Evite que você e o seu negócio entrem em curto-circuito

Evite que você e o seu negócio entrem em curto-circuito

Iniciar um próprio negócio requer investimentos em várias áreas, seja na qualificação do próprio empreendedor, seja na compra de produtos e equipamentos, na contratação de mão de obra, na locação de imóvel, dentre tantos outros.

No entanto, acredito que o mais importante seja o investimento na gestão de pessoas, pois serão elas que farão do seu negócio, uma empresa de sucesso ou insucesso.

Não importa a área de atuação, muito menos o porte do empreendimento, você sempre precisará de pessoas, habilidades para lidar com elas, além de saber gerenciar o relacionamento entre seus funcionários. Estes são pontos primordiais. Ao contrário, seu negócio já estará fadado ao fracasso.

Priorizar um ambiente de trabalho saudável, motivador, que proporcione gosto de se trabalhar é muito importante. As pessoas passam a maior parte do dia no trabalho, então, o mínimo a fazer é favorecer uma experiência positiva a elas – esta é, inclusive, um das metas da maioria das empresas, encantar o consumidor final e proporcioná-los as melhores experiências. Mas, por que não fazer o mesmo com os clientes internos?

Saiba que, quanto menos você investe nas pessoas que trabalham com você, menos sucesso seu negócio terá.

Veja abaixo as características mais comuns do mundo empresarial atual, causadas pelas doenças do trabalho, segundo estudos da Organização Mundial de Saúde, inclusive na Europa e nos Estados Unidos, e que podem causar um curto-circuito em sua empresa.

Avalie se uma dessas situações acontece com você e/ou no seu ambiente de trabalho:

Urgência: funcionários trabalham com aquela sensação de falta de tempo permanente, de nunca estar à altura do que foi pedido. Sensação de que está sempre correndo, mas nunca alcança o que precisa, manifestando o estado de estresse crônico, quando não consegue pensar em outras possibilidades, em outras formas de agir, o que é extremamente adoecedor.

Fadiga: pessoas trabalham acumulando funções além das suas condições de fazer, de dar conta. Essa experiência revela o excesso de demanda produtiva de metas, provocada pela escassez de pessoas específicas para cada área, sobrecarregando os funcionários.

Perda de sentido: quando a pessoa se pergunta: “por que estou fazendo isso?”. Quando os funcionários começam a se questionar sobre os seus valores pessoais e questionam as razões de estarem ali desempenhando tal atividade, há um sério problema instalado. Quanto mais urgência para fazer as atividades, maior é a fadiga e a sensação de frustração, desmotivação, da perda do comprometimento, dando espaço à identificação da perda de sentido, de valor pessoal - e a perda de sentido é, psiquicamente, extremamente grave.

Competitividade extremada: acontece quando a relação com o outro deixa de ser cooperativa, de reciprocidade e passa a ser de rivalidade, perdendo o senso de coletividade, dando espaço para aumentar o índice de isolamento, solidão e, por fim, depressão.

Experiência da solidão: quanto mais essa competitividade extremada ganha espaço, mais o funcionário paga o preço, pois, entende que só pode contar com ele próprio. Muitas vezes o gestor fomenta essa forma de relacionamento como ganho de produtividade, mas é aí que o conflito ético se instala: metas x sofrimento. O pensamento que surge é: “se eu contar para o outro, ele pode contar para fulano ou para cicrano, e esses podem me prejudicar, então, prefiro não falar para ninguém”. O interessante é que a experiência da solidão acomete não apenas um ou outro profissional, mas, sim, a maioria das pessoas em cada empresa. Como não é um assunto falado entre si, cada um acha que vive tal experiência sozinho, quando, na verdade, trata-se de uma solidão coletiva.

Precarização dos meios de trabalho: não adianta ter o melhor nome no mercado, se na prática, não há sistemas, computadores, processos, recursos eficazes para que os profissionais consigam desempenhar com qualidade suas atividades. O que se vê hoje, são profissionais tendo que fazer muito mais tarefas com menos recursos. As empresas acreditam que assim estão baixando os custos e manterão a produtividade da empresa em dia. Ledo engano.

Paradoxo: podemos dizer que são as armadilhas mais sutis, as mais difíceis de serem percebidas por parte das empresas. Os processos seletivos pedem profissionais criativos, proativos, motivados, comprometidos, engajados, inovadores, entre tantas outras características exigidas atualmente. No entanto, na prática, as empresas colocam esses profissionais em ambientes altamente contrários, que não os permite, realmente, colocar em prática todas essas habilidades anteriormente exigidas. Logo, quando você é criativo, mas não pode colocá-la em prática em seu trabalho, maior será sua desmotivação, menos iniciativa você terá para fazer algo, deixa de se comprometer com os resultados, e, com o passar do tempo, desiste, pois entende que está sempre falhando, de estar sempre em débito, o trabalho perde o sentido e, por fim, o funcionário adoece.

E, então? Você ou sua empresa já passou por alguma dessas situações acima?

Se sim, cuidado! É preciso agir para reverter a situação ou haverá um curto-circuito. Se não, parabéns, mas não descuide!

No decorrer das próximas semanas, falarei especificamente sobre cada uma dessas características e como é possível resolvê-las.

Um abraço e até a próxima semana.

Canal de Estimação
Pauline Machado
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Diretora Editorial do Canal de Estimação e apresentadora do programa Canal de Estimação, exibido pelo RIC Play - plataforma digital do Portal de Notícias do Grupo RIC | Rede Record do Paraná. Há 14 anos desenvolve ações em prol dos animais.

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