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Sorvete para animais: pode ou não pode?

Sorvete para animais: pode ou não pode?

 

Nesse verão, uma saborosa opção para refrescar é tomar sorvete, inclusive para os animais, que também sofrem com o calor e ficam expostos a riscos como a desidratação. Os empreendedores mais criativos logo encontraram uma solução - desenvolver sorvetes específicos para nossos amigos.

A ideia de oferecer um petisco gelado é uma técnica muito utilizada em zoológicos ou centros de criação de animais, segundo Aline Almeida,  zootecnista especialista em nutrição animal. “Chamada de ‘enriquecimento ambiental’, essa técnica ajuda a reduzir o calor, além de ser uma distração para o animal e ajudar a reduzir o estresse do cativeiro”, afirma.

Além de refrescar e distrair os animais, os sorvetes podem trazer outros benefícios, assegura a veterinária especialista em nutrição, Paloma Dalloz. “Além de oferecer um produto com baixa temperatura nesse calor, a guloseima pode promover uma interação entre o pet e seu tutor”, reforça. Entretanto, devemos ter cuidados antes de dar sorvete aos nossos bichinhos. A zootecnista alerta que os animais não devem ingerir o mesmo sorvete que nós humanos consumimos. De acordo com ela, o problema não está relacionado prioritariamente com a quantidade de gordura, mas com a de açúcar, e que os donos devem ter um senso crítico ao oferecer petiscos para os animais: “As guloseimas se configuram como calorias extras, portanto, se dado em excesso, principalmente para animais ociosos, causa sobrepeso e pode gerar uma série de outros problemas, dentre eles cardíacos e articulares”, explica. De acordo com a veterinária Paloma Dalloz, a questão da obesidade já é uma realidade na medicina veterinária. “Por se tratar de uma guloseima, o sorvete não deve ser oferecido todos os dias nem em grandes quantidades. Antes de comprar qualquer petisco no petshop, o mais indicado é procurar a orientação de um clínico veterinário para saber se é realmente apropriado ao animal”, orienta. De qualquer modo, uma dica para facilitar a escolha é avaliar a composição. “Quanto mais natural o sorvete, melhor. As opções mais saudáveis são as que contêm frutas, yogurts ou outros probióticos. Se há a inclusão de açúcares, corantes ou sabores artificiais, o melhor é evitar”, complementa e enfatiza a zootecnista.

No Brasil, temos apenas uma marca com registro no Ministério da Agricultura, a Ice Pet, que garante que seus produtos são compostos por ingredientes naturais. Na internet os preços do produto variam entre R$ 2 e R$ 10.

A veterinária adverte que esses sorvetes são muito diferentes dos nossos, especialmente se levarmos em consideração os sabores bacon, frango e picanha. Em outros países, a situação é diferente: “Na Europa e nos EUA há maior variedade de produtos, com ingredientes orgânicos e sem lactose e açúcar”, exemplifica. Mas é possível fazer deliciosas receitas caseiras para o seu pet. “De forma geral, as receitas naturais, desde que bem executadas, geram mais benefícios ao organismo do que produtos artificiais. Eu indico e uso para os meus animais, o gelo de frutas”, recomenda a zootecnista.

A receita é simples: basta escolher uma fruta e juntar com água suficiente para bater no liquidificador. Em seguida, adicionar uma colher (sopa) de iogurte natural para cada 250 ml do suco, colocar em forminhas e deixar congelar.

Uma outra sugestão é congelar caldos de carne ou frango no formato de bola, para dar mais trabalho e diversão ao pet, obrigando-o a lamber aos poucos o sorvete ao mesmo tempo em que se diverte e exercita”, dá a dica a veterinária Paloma.

Curiosidade: Além de cães e gatos, outros pets podem tomar sorvete?

Enquanto cães e gatos curtem a guloseima, outros animais não apresentam sequer interesse, como é o caso dos répteis e aves. “Hamsters, coelhos e camundongos podem ter mais atração pela água ou pelo próprio alimento gelado, mas não pelo sorvete”, garante a zootecnista Aline Almeida. Além do mais, roedores e répteis não possuem características fisiológicas capazes de fazer uma boa conversão de energia a partir desse petisco, acrescenta a veterinária Paloma Dalloz. “Dependendo da espécie, o animal pode ter graves consequências digestivas”, alerta.

Reportagem de Maria Karolina, jornalista voluntária, colaboradora do Canal de Estimação.

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