Pesquisas reforçam benefícios do uso de prebióticos e algas na dieta dos animais

Durante o 4º Fórum de Pet Food Alltech, realizado em outubro último em Indaiatuba, São Paulo, especialistas confirmaram que o bem-estar e o desenvolvimento saudável do organismo dos animais de estimação estão diretamente relacionados ao equilíbrio do seu sistema digestivo, e que soluções adicionadas nas formulações das rações favorecem qualidade de vida de cães e gatos.

De acordo com a professora da Universidade Federal do Paraná, Ananda Felix, pesquisas recentes apontam que a modulação de dietas focadas na saúde intestinal a partir do uso de prebióticos – micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde de quem os ingere, podem favorecer o desenvolvimento geral do animal. “Há resultados significativos na melhora das características fecais de cães e gatos em relação ao odor e consistência, a partir da inclusão de suplementação de base de leveduras nas rações dos animais”, afirma.

Segundo a professora, os prebióticos atuam, inclusive, de forma preventiva no caso de futuras doenças graves. Em situações de fezes com um odor muito forte, por exemplo, pode ser que esteja ocorrendo fermentação excessiva no trato digestivo do animal, o que faz com que ele produza compostos que são agressivos para essa região. “A partir do uso de prebióticos, conseguimos observar melhora das fezes, porque reflete reações positivas que estão acontecendo dentro do organismo do animal, resultando em menor desconforto intestinal, risco de desenvolver inflamação ou, em casos mais graves, câncer no intestino”, explica.

A solução pode ser adicionada de várias formas na dieta dos animais, porém, a inclusão direta na formulação da ração é uma das maneiras mais eficientes, considera Ananda Felix. “Quando fornecido no alimento principal é possível garantir um nível de inclusão adequado de acordo com o porte do animal. Além disso, para o prebiótico ter efeito benéfico precisa ser consumido diariamente, assegurando a manutenção de uma micorbiotia mais saudável”, acrescenta.

Ainda durante o fórum, o professor do departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ricardo Souza Vasconcellos, apresentou o estudo sobre o papel do ômega-3 (DHA) na recuperação de processos inflamatórios no pós-operatório de castração de cães e gatos. “Depois de três dias da realização da cirurgia, a medida em que fomos incluindo o DHA na dieta, o efeito de modulação inflamatória foi diminuindo. Percebemos também, a deposição de DHA nos ovários e testículos, que ficou como tema de interesse para avaliarmos em um próximo estudo ligado a questão reprodutiva”, pontua.

O professor ressaltou ainda, que, por ser reconhecido tradicionalmente e estar presente no óleo e na farinha de peixe, o Ômega-3 também pode ser encontrado em fontes alternativas como as microalgas heterotróficas que foi a base utilizada na dieta aplicada pela UEM.

Gabriela Biancão, consultora técnica do departamento do SAC da Special Dog, empresa parceira dos estudos da UEM, destacou que tem acompanhado na prática os resultados e que há um grande diferencial com a presença de DHA na ração, principalmente no caso dos filhotes. “Nos resultados das pesquisas identificamos altos índices de digestibilidade, e, no caso das funções cognitivas, a questão do aprendizado”, reforça.