Como você trata o seu animal de estimação?

No Brasil sempre houve um bom relacionamento entre os humanos com relação aos animais de estimação. O que mudou ao meu ver, foi a consciência das pessoas da classe média sobre os cuidados com os seus cães. Acho que essas mudanças começaram a acontecer com a abertura da democracia e o desenvolvimento econômico dos anos 80 – fase em que a estrutura das famílias começou a mudar e aumentar o poder aquisitivo.

Hoje existem poucas famílias de classe média com mais de dois filhos, por isso a possibilidade de ter um animal para cuidar é maior. Também, por incrível que pareça, com o aumento de pessoas indo morar em apartamentos facilitou a entrada de animais de estimação, não agressivos e com outra finalidade que a guarda.

Infelizmente com essas mudanças, muitos animais passaram a ser tratados como pessoas e assim como um humano não gostaria de ser tratado como um animal, creio que o inverso também ocorre.

Algumas pessoas, muitas vezes tratam o animal de forma errada, achando ser a forma correta para ele não virar um cachorro ‘mimado’. Sempre digo que não há problema algum amar o seu cão como se fosse o seu filho, desde que o trate como um cão.

O animal de estimação é um ser projetivo, isto é, depositamos nele sentimentos e desejos nossos. Isso acontece tanto de forma positiva, como por exemplo, uma pessoa que foi muito reprimida e tem horror a pessoas repressoras, provavelmente vai ter muito mais consciência dos passeios diários e da socialização que um cão deve ter.

Por outro lado, pessoas que tiveram problemas com excesso de limpeza, tendem a achar que seu cão detesta ficar sujo, dando-lhe banho mais de uma vez por semana. O problema não está em o dono do cão sentir-se orgulhoso e vaidoso ao sair para passear, o importante é dar qualidade de vida ao animal, isto é, tratá-lo como um cão obedecendo as regras da matilha e suprindo as suas necessidades básicas.

Colocar roupinhas para enfeitar seu animal vai deixá-lo irritado e triste – isso não faz parte da posse responsável, mas se ele der um bom banho no cachorro, colocar uma bandana e sair por aí todo orgulhoso do seu cão, não há problema.

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Por Kátia Regina Aiello, psicóloga especialista na relação homem-animal.